Escassez de mão-de-obra: um desafio persistente
A escassez de mão-de-obra continua a ser um problema urgente em todo o setor logístico. Joost Heins, Diretor Global de Intelligence da Randstad Enterprise, explica: “Apenas 5% das empresas não enfrentam escassez de mão-de-obra neste momento. É difícil encontrar pessoas, o que sobrecarrega ainda mais a força de trabalho existente”. As consequências são abrangentes, desde o aumento da carga de trabalho dos colaboradores, levando a uma maior pressão sobre a equipa atual e a taxas mais elevadas de absentismo, até atrasos nas entregas e até mesmo clientes insatisfeitos.
Para lidar com isto, Joost descreve duas estratégias principais: “Ou se reduz a lacuna através da requalificação, explorando novos talentos ou melhorando a retenção de colaboradores — ou se compete nessa lacuna, tornando-se o empregador mais atraente.” Joost sublinha a importância da flexibilidade, do sentido de pertença e de campanhas de recrutamento eficazes. “As pessoas querem trabalhar num local onde se sintam em casa”, acrescenta.
Per Fyrenius, Vice-Presidente Sénior de Desenvolvimento Corporativo da Toyota Material Handling Europe, faz eco desta preocupação, referindo que a escassez de mão-de-obra tem impacto na produtividade, nos níveis de serviço e na segurança no local de trabalho. “Podemos ajudar com soluções automatizadas e tecnologias de apoio que facilitam o manuseamento dos nossos equipamentos por operadores menos experientes”, afirma.
Sustentabilidade e eficiência energética
A gestão ambiental e a responsabilidade social deixaram de ser facultativas — passaram a ser um imperativo estratégico. Per Fyrenius destaca a crescente procura por equilibrar o sucesso económico com práticas comerciais responsáveis: “A pressão flui por toda a cadeia, começando pelos consumidores. Os nossos clientes estão a trabalhar para equilibrar os custos de energia e garantir a segurança energética, enquanto enfrentam exigências crescentes dos seus próprios clientes para adotarem práticas mais sustentáveis."
A eletrificação e a inovação nas baterias são fatores essenciais. “Estamos a assistir a uma mudança das baterias de chumbo-ácido para as de iões de lítio, e os equipamentos de movimentação de materiais estão a tornar-se mais eficientes em termos energéticos”, continua Per. Aponta ainda para o futuro das redes conectadas: “Para além do carregamento de empilhadores, imagine um movimentado centro de distribuição com dezenas de camiões elétricos a chegar, a descarregar e a aguardar recarga. Se todos os veículos se ligarem ao mesmo tempo, a infraestrutura energética do local poderá ficar sobrecarregada, levando à sobrecarga da rede, a custos elevados de procura de pico ou até mesmo a apagões. É aí que a orquestração inteligente do local se torna fundamental”.
Automação e transformação digital
A automação surge como uma ferramenta vital para gerir a volatilidade e escalar as operações. Thomas Liske, Vice-Presidente de Logística da PUMA, partilha o seguinte: “Os clientes de hoje habituaram-se à gratificação instantânea. Querem entregas rápidas e fiáveis, independentemente de ser a época alta das festas, o lançamento de um novo produto ou apenas um dia útil comum. Esta volatilidade torna as nossas operações logísticas complexas e precisamos de automatização para aumentar e diminuir a escala com flexibilidade”.
No entanto, Thomas sublinha que, em última análise, a automação é um negócio de pessoas. “No final, precisa daquele indivíduo dedicado ou de uma equipa bem oleada que possa realmente fazer acontecer. Embora a tecnologia desempenhe um papel fundamental, são as pessoas que impulsionam o verdadeiro sucesso.”
De acordo com Per Fyrenius, as tecnologias digitais — incluindo a IA e a cibersegurança — estão a remodelar a logística, uma vez que se infiltraram em todas as facetas da vida moderna. “As novas tecnologias surgem e evoluem rapidamente. A transformação digital é um dos principais motores das tendências, impulsionando a inovação e oferecendo oportunidades em todos os setores.”
Permitir um desempenho sustentável
A Logiconomi é uma plataforma de comunicação, criada pela Toyota Material Handling Europe, para identificar e compreender os desafios, tendências e tecnologias emergentes no setor da logística. O objetivo é apoiar todos os intervenientes ativos no setor da logística com informação e inspiração para melhorar as operações logísticas.
Descubra mais tendências à medida que publicamos mais entrevistas nesta série de blogs ou no nosso mais recente relatório de tendências.