Guillermo Albaladejo, Vice-Presidente de Vendas & Operações e Automação de Armazéns do viastore GROUP, destaca uma mudança fundamental no setor: “A automação está mais flexível atualmente, facilitando a adoção por empresas menores e criando potencial para a revitalização de instalações industriais abandonadas. Esta escalabilidade amplia o mercado e impulsiona o crescimento do setor.”
Esta flexibilidade é crucial no ambiente económico volátil de hoje. “Em vez de investir num sistema muito grande e totalmente automatizado, as empresas agora estão a adotar uma abordagem gradual”, explica Guillermo. “É o que chamamos de jornada da automação : ser ágil e modificar os sistemas conforme avançamos.”
Esta abordagem modular permite que as empresas respondam às mudanças nas condições de mercado e escalem as suas operações de forma incremental. Ela também reduz a barreira de entrada para empresas mais pequenas que antes consideravam a automação inacessível, seja do ponto de vista financeiro ou operacional.
Peter Carlsson, Diretor de Operações da Toyota Material Handling Europe, realça também a importância do takt time, um conceito crucial na produção lean. Ao estabelecer fluxos regulares a partir de clientes internos, como linhas de produção, sincroniza a produção com a procura do cliente, minimizando o desperdício e otimizando a alocação de recursos. “Conecte o ritmo da logística interna, alimentando as linhas de produção com peças do armazém”, aconselha. “Uma pequena dica é alimentar as linhas de produção a um ritmo regular. Configure o armazém para que o comboio logístico saia com um takt time fixo. O número de paletes pode ainda ser flexível. É um sistema pull (puxado), em que o comboio alimenta a linha a um ritmo fixo.”
Os benefícios da automação vão para além da produtividade. "Observamos ganhos de eficiência no rendimento e na densificação do armazém, o que permite áreas/espaços mais pequenos", diz Guillermo. "A automatização também ajuda a reduzir desafios de pessoal e apoia práticas comerciais mais sustentáveis com sistemas altamente eficientes em termos energéticos."
Peter Carlsson acrescenta que uma das melhorias mais significativas na eficiência vem do aumento da capacidade. "Operações tranquilas, especialmente quando se trata de transporte interno de uma zona para outra, eliminam os tempos de espera e aumentam a capacidade com mais paletes por viagem", explica. "Uma maior capacidade melhora a eficiência através de um aumento do número de produtos, sem afetar o número de colaboradores".
Além de reduzir a dependência de mão-de-obra, a automatização aumenta a resiliência operacional. Ao minimizar a dependência do trabalho manual, as empresas podem resistir melhor à escassez e às interrupções de mão-de-obra. Além disso, os sistemas energeticamente eficientes contribuem para uma menor pegada de carbono, alinhando-se com as crescentes regulamentações ambientais e metas de sustentabilidade empresarial.
Nicolas De Keijser, Diretor Sénior de Vendas da Boston Dynamics, salienta que, embora os grandes armazéns tenham adotado a automação, muitas instalações de média dimensão ainda dependem muito de processos manuais. "Ainda há muito espaço para a automatização, especialmente com robôs móveis para o manuseamento de caixas", afirma. "Estes robôs flexíveis podem levar a automação a locais onde os sistemas tradicionais são demasiado rígidos ou dispendiosos."
"Um dos benefícios da automação móvel", acrescenta Nicolas, "é que se pode levar o robô até ao trabalho, em vez de levar o trabalho até ao robô. Isto abre um mundo totalmente novo de possibilidades."
A mudança para a robótica móvel e modular é especialmente relevante para as empresas que procuram automatizar sem reformular toda a sua infraestrutura. Permite uma implementação mais rápida, significa um menor investimento inicial e oferece maior adaptabilidade a fluxos de trabalho em constante evolução.
Olhando para o futuro: um futuro robótico
Quando questionado sobre a próxima década, Nicolas mostra-se otimista: “Daqui a dez anos, acredito que os robôs humanoides e a robótica avançada se tornarão comuns. O que vemos hoje como inovação em fase inicial será padrão nas operações logísticas”.
À medida que a tecnologia robótica amadurece, podemos esperar ver sistemas mais inteligentes e autónomos, capazes de lidar com tarefas complexas com a mínima intervenção humana. Esta evolução não só redefinirá as operações de armazém, como também remodelará as funções da força de trabalho, enfatizando a necessidade de melhoria de competências e de colaboração humano-robô (HRC).
Promovendo um desempenho sustentável
A Logiconomi é uma plataforma de comunicação criada pela Toyota Material Handling Europe para identificar e compreender os desafios, tendências e tecnologias emergentes no setor da logística. O objetivo é apoiar todos os intervenientes ativos no setor da logística com informação e inspiração para melhorar as operações logísticas.
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