A Coop é a segunda maior cadeia de retalho alimentar da Noruega. Para além do armazém central (CLog) em Gardermoen, a Coop possui armazéns regionais em Stavanger, Bergen, Trondheim e Tromsø. O armazém de Trondheim tem cerca de 30.000 m² e fornece mais de 300 lojas Coop. O espaço está dividido em áreas de receção de mercadorias, frutas e legumes, congelados, produtos refrigerados, produtos secos, descarga e uma estação de reciclagem. Diariamente, o armazém recebe, em média, 2.500 paletes, processa a separação de 65.000 volumes e realiza o envio de 3.000 paletes.
"Há três anos, começámos a avaliar as possibilidades de automatizar o nosso transporte interno", afirma Roger Tømmervold, Responsável de Logística Interna da Coop. "Considerámos todas as opções e não nos impusemos limitações. Identificámos um total de 17.500 transportes semanais de um ponto para outro que poderiam ser automatizados e começámos por automatizar 3.000 deles", continua Roger. "Escolhemos a Toyota Material Handling Noruega como fornecedor entre sete possíveis candidatas, pois simplesmente apresentaram-nos a melhor proposta." Foi então elaborado um estudo de viabilidade com um retorno do investimento (ROI) de aproximadamente dois anos.
Karim El-Kelish, Gestor de Soluções Logísticas da Toyota Material Handling Noruega, ficou muito impressionado com o trabalho de preparação realizado pela Coop: "Para obter sucesso num projeto de AGV, é fundamental mapear todos os transportes possíveis de forma a obter uma boa estimativa do número de veículos guiados automaticamente necessários para realizar todas as tarefas."
Num projeto de automação como este, não só o orçamento para o hardware dos AGVs é fundamental, mas também os recursos de IT. "Um AGV é totalmente controlado por um sistema, e nós simplesmente não tínhamos isso antes", afirma Tømmervold. Acrescenta que a Coop decidiu não adquirir um novo WMS (Sistema de Gestão de Armazém), optando, em vez disso, por alargar as funcionalidades do sistema SAP da empresa para indicar aos veículos o percurso a seguir quando passam pelo portal de leitura. "Para as mercadorias em expedição, dispomos agora de um sistema eficiente que reduz os picos de procura e melhora o fluxo constante de mercadorias."
A principal tarefa dos veículos é transportar cerca de 3.000 paletes pré-fabricadas por semana. Os veículos autónomos (AGVs) recolhem as mercadorias na zona de receção, passam por um portal de leitura e seguem para a zona de descarga. Aos fins de semana, o volume de transporte é ainda maior, mas as mudanças de cor das rotas dos AGV no ecrã garantem que as tarefas em execução permanecem facilmente visíveis.
Roger Tømmervold reconhece que a implementação dos cinco AGVs exigiu um planeamento considerável para minimizar o caos. Mais de 210 veículos operam no armazém; assim, é natural que os operadores de empilhadores tenham demonstrado alguma hesitação em relação aos veículos autónomos no meio de uma operação tão intensa. Com o passar do tempo, os operadores familiarizaram-se com os padrões de movimentação e o comportamento dos AGV. Como resultado, estes veículos conseguem percorrer as suas rotas fixas em segurança, mesmo no meio de uma grande quantidade de veículos operados manualmente.
Os especialistas em AGVs deram formação à equipa para que todos pudessem trabalhar com os sistemas de piloto automático no dia a dia e atribuir-lhes tarefas. Desta forma, os colaboradores passaram a sentir-se responsáveis pelos equipamentos e a aceitá-los como ferramentas de trabalho. De salientar que a introdução dos AGV não resultou numa redução do pessoal permanente, mas diminuiu a necessidade de contratar mão-de-obra temporária durante os períodos de pico.
O armazém em Trondheim opera com tantos empilhadores da Toyota que a empresa mantém uma oficina com técnicos próprios no local. Os AGV — veículos de transporte automatizado da Toyota — são construídos com base em modelos standard, o que permite aos técnicos habituais da empresa também realizar a manutenção. Além disso, a Toyota Material Handling Noruega conta com especialistas em automação capazes de diagnosticar problemas remotamente ou de realizar visitas técnicas aos clientes. Hege Sandanger, gestora de projetos da Coop, afirma que a administração demonstra um grande interesse nos AGV. Roger Tømmervold pretende aumentar a frota de AGV na unidade de Trondheim, dado que muitas outras tarefas podem ser automatizadas no local: "Graças à altura de elevação e à capacidade adequadas dos empilhadores automatizados, temos a flexibilidade de atribuir novas tarefas a estes equipamentos caso ocorram alterações."
(O estudo de caso completo foi publicado na revista especializada norueguesa *Logistikk & Ledelse* (Logística e Gestão), edição nº 1-2019.)